Era uma vez, no infinito país dos sonhos, um reino escondido debaixo de todos os outros. Não tinha nada de singular, exceto pelo fato de que ali só havia ratos.
Esse reino se parecia com o nosso mundo. Havia pais ratos, filhos ratos, vilarejos e cidades de ratos, fronteiras entre as regiões. Ratos nasciam, ratos morriam. Havia ratos famosos e ratos menos conhecidos. Havia ratos traiçoeiros, havia até ratos honestos. Havia ratos que trabalhavam e outros que, por uma razão ou outra, não tinham condições de fazê-lo.
O que caracterizava esse mundo dos ratos era o seu lema: "Distinga-se como puder, mas distinga-se!"

Ora, entre eles havia um rato velho, preguiçoso e ardiloso, que durante toda a vida tentara se destacar. Nunca havia conseguido encontrar um jeito de respeitar o lema.
Como sua vida estava chegando ao fim e lhe restava pouco tempo, isso enfim lhe deu uma ideia. "Se o tempo é tão precioso, por que não caçá-lo e capturá-lo?"
Ele inventou o artifício de uma caixa para conservar minutos. De aparência rudimentar, era feita de massa cozida. De propósito, ele até a deixou um pouco queimada.
Em todos os lugares públicos, espalhou cartazes para anunciar sua invenção. Isso, naturalmente, chamou a atenção de todos os presidentes e ratos importantes.
Eles convidaram o inventor para uma demonstração.

O velho rato maquiou-se polvilhando um pouco de farinha branca sobre os pelos da cabeça. Atrasando de propósito sua chegada, correu um pouco, só o suficiente para ficar ofegante. Depois, ao se apresentar diante deles, pediu desculpas.
- "Honoráveis ratos, peço que me perdoem. Mas fui recuperar o tempo que havia evaporado da caixa que estão vendo."
Sem demora, foi direto ao assunto. Falou depressa, tendo planejado que isso poderia atordoar a assembleia. Muito convincente, fez-lhes acreditar que todos poderiam se beneficiar do tempo capturado.
- "Até mesmo a morte de vocês poderia ser adiada!", proclamava em alta voz. "Basta recuperar o tempo que vocês teriam depositado nesta pequena caixa de massa queimada. Infelizmente, ela é frágil, e o tempo pode escapar. Se fosse de ouro, o futuro de vocês estaria garantido."
- "Nós lhe forneceremos todo o ouro que desejar. Poderemos até construir uma caixa imensa, um edifício inteiro dourado para conter o tempo, se o senhor pedir!..."

"Mas mostre-nos os princípios básicos", lançava um dos ratos dignitários.
O velho rato pediu que se voltassem para a parede atrás deles. Assim, ninguém o viu enxugar a cabeça enfarinhada depois de lançar sua caixa frágil, que se espatifou em mil pedaços.
O mais discreto, mas também o mais observador dos notáveis, notou, entre os cacos espalhados pelo chão, um minúsculo travesseiro cor-de-rosa.
- "Para onde foi o tempo?", perguntou um dos ratos nobres ao se virar. Depois acrescentou: "Nem me diga, estou vendo, o senhor rejuvenesceu!"
- "De fato, eu sinto isso! O tempo que eu havia economizado voltou parcialmente para mim; o restante escapou. A perda foi causada pela qualidade e pela fragilidade da pequena caixa", mentiu o velho rato.
- "Por que, então, esse pequeno travesseiro?", observaram alguns ratos mais atentos.

- "O tempo que não tem nada para fazer fica entediado e adormece. Para atraí-lo, basta colocar um travesseiro confortável dentro da caixa. Assim, quanto mais tempo ele dorme, mais descansado e disposto estará quando precisarmos dele. Para colocar tempo na caixa, é simples. Basta fazer tudo mais depressa. O tempo que não for usado vai deitar-se."
Todos os ratos só tinham elogios para o inventor.
Sem demora, todo o reino se pôs ao trabalho: nobres, trabalhadores e desempregados. Uma caixa gigantesca de ouro, alta como uma montanha, foi construída segundo os planos do velho rato. Ele até conseguira convencer os governantes do reino a construir ali uma grande moradia para que pudesse ser hospedado. Seu argumento era simples: ele vigiaria o tempo, cuidaria para que não fugisse e contaria os minutos que a caixa capturasse.
Para a construção, o reino levou seu tempo. Como o tempo não podia ser conservado em nenhum outro lugar além de uma caixa inventada pelo velho rato, não havia motivo para ter pressa.

No dia da inauguração do captador de tempo, o velho rato instalou-se muito confortavelmente em seus novos aposentos, todos dourados. Não fazia outra coisa senão se espreguiçar, comer e cochilar. Confortável demais dentro daquela fortaleza dourada, passou a se interessar apenas por si mesmo e saboreava a lembrança de como havia enganado todo mundo.
Em toda parte do reino, a velocidade tornou-se obrigatória. Tudo precisava andar cada vez mais rápido, sempre mais depressa, para capturar o máximo possível de tempo.
Uma nova doença surgiu no reino: a ausência de tempo livre causada por aquela velocidade alucinante. Os ratos já não descansavam, já não dormiam. Queriam economizar tempo. Tudo tinha de ser mais rápido, mais apressado. O trabalho, as decisões, os jogos; tudo entrou nesse ritmo. Tudo ficou tão acelerado que nenhum rato já se dava o tempo de viver. Eles já não sabiam mais distinguir a felicidade da infelicidade, porque já não tinham tempo para perceber a diferença.

Todos os ratos do reino ficaram tão tensos e nervosos que começaram a matar aqueles que não iam rápido o suficiente. "Isso só vai sobrar mais tempo para os ratos que ficam!", diziam a si mesmos. E os que restaram fizeram o mesmo uns com os outros.
O último deles, um ambicioso que nunca parara de ir mais depressa, foi vencido pelo esgotamento.
Um dia, quando o velho rato ficou sem provisões, decidiu sair de seu esconderijo acolchoado. Não viu senão morte e desolação, e compreendeu sua participação na catástrofe.
Ele teria querido pedir perdão. Tinha todo o tempo do mundo.
Já não podia mais, o tempo dos outros ratos havia acabado.